Auckland: como eu vim parar nessa cidade de nome esquisito
- Brubs Ferreira

- May 19, 2019
- 3 min read
Guys, quando eu paro pra pensar, nem parece verdade que eu moro do outro lado do mundo, literalmente. Vir parar aqui tão rapidamente me fez ver o quão grãozinho de areia a gente é nesse mundão sem limites.
Sou natural de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, uma cidade universitária com 300 mil habitantes e com zero cara de metrópole, enquanto Auckland é completamente cosmopolita, com gente de TODOS os lugares do mundo, principalmente Ásia e Europa. Eu sempre tive vontade de viver uma experiência no exterior e achei aqui o lugar mais parecido com o Rio Grande do Sul, mesmo sabendo que teria gente de todo mundo na rua. Nunca havia morado fora, então não queria uma mudança muito radical na minha vidinha um tanto quanto pacata no Brasil.
Moro aqui há quase um ano já (credo, como o tempo voa!) e no início toda essa mistura me fez ficar meio doidinha e com medo. Foi aí que eu vi o quão preconceituosa eu era, porque não queria de jeito algum me abrir para as novas culturas e oportunidades que a vida estava oferecendo. Fechei meu círculo de amizades "leais de um mês" com alguns brasileiros e achei que o jogo estava ganho, ficaria bem com eles, afinal temos a mesma cultura, mesma língua, tudo parecido, combina. Ledo engano. Alguns amigos começaram a ir embora de volta para o Brasil, outros foram para outras cidades na Nova Zelândia e alguns hoje em dia nem são mais os meus "amigos leais de um mês". Eles mudaram e eu também. Vi que sou uma pessoa bem mais difícil e dura do que eu já sabia que era, mas isso me fez crescer muito. A gente tem que criar uma casca quando tá sozinho no mundo, sabe?! Se a gente não fechar a cara para o que não nos faz bem e não disser não quando realmente quer dizer não, quem vai nos salvar? Não tem nenhum Chapolin Colorado pelas bandas da NZ, mas eu também ando gostando muito dessa minha versão mais "chatinha". Eu dizia sim pra tudo, inclusive pro que me fazia mal.
Eu acredito que amadureci uns 5 anos em 1 aqui, até agora. Se alguém me pergunta se faz ou não um intercâmbio hoje, eu digo sem pestanejar que SIM! Gente, sério, o brasileiro precisa sair mais cedo de casa e viver o mundo! Mas não faz intercâmbio curtinho, não! Fica uns 6 meses, no mínimo. É impossível se acostumar e gostar de um lugar em 3 ou 4 meses, digo por experiência própria. O que algumas agências de intercâmbio estão fazendo vendendo esses períodos curtinhos para jovens é absurdo e eles sabem disso. Fica um pouco mais no Brasil, junta mais uma graninha e aí depois vem e aproveita com calma, senão depois fica fazendo correria no exterior e matando aula para poder viajar e conhecer os lugares, coisa feia! rsrs
Obviamente que se for uma pessoa com agenda apertada ou mais idade, intercâmbios curtinhos funcionam superbem, mas se for jovem livre e desimpedido (como dizem os mais velhos) entra de cabeça nessa experiência que tu não vai te arrepender, I promise ;)
No fim das contas, sigo aqui, firme e forte, com vários amigos que ainda são meus "amigos leais de um mês" e com minha amizade mais longa e mais importante ainda mais fortalecida: eu comigo mesma.




Comments